terça-feira, 21 de julho de 2009

Interpretando sonhos

A Bíblia no livro do Gênesis narra a história de um jovem chamado José, muito famoso por seus sonhos inusitados. Dentre seus sonhos, destacavam-se aqueles que expressavam certa superioridade sobre seu pai e seus irmãos. Destarte, José desenvolveu antipatia diante de seus irmãos, até que foi vendido como escravo e levado ao Egito. Servindo ao comandante da guarda de Faraó, foi vítima de calúnia e colocado na prisão. Muitos valorizam exclusivamente a vocação que José tinha pra sonhar, contudo, eu gostaria de compartilhar com você uma outra habilidade que potencializou os sonhos de José: o dom de interpretar sonhos.

Para que serve um sonho sem discernirmos e interpretarmos seu significado e objetivo? Nos tempos aparentemente desfavoráveis ao cumprimento de seus sonhos, José interpretou os sonhos do copeiro e do padeiro do rei do Egito, e posteriormente do próprio Faraó. Deus nos dá sonhos, mas estes precisam ser interpretados. Quando falhamos na interpretação de nossos sonhos comprometemos a realização de tais sonhos.

O primeiro sonho que José interpretou foi o do copeiro do rei, que se via espremendo uvas de três cachos e oferecendo ao rei. José afirmou que o copeiro voltaria a servir ao Faraó em três dias. Nós precisamos fazer como José e interpretar todos os nossos sonhos como serviço ao nosso Rei. Todo sonho que Deus gera em nós tem a intenção de glorificar o Seu próprio nome, afinal, segundo o texto de Isaías capítulo 43, versículo 21, nós fomos criados exclusivamente para isto. Qualquer sonho que seja mera vontade de expressar nossa individualidade ou carismas sem o objetivo de servir ao Criador de todas as coisas, não veio de Deus, não prosperará, e se com muito custo prosperar, não permanecerá. Interprete seus sonhos como serviço á Deus e aos Seus propósitos.

Após o sonho do copeiro, o padeiro de Faraó contou a José que em seus sonhos via três cestos de pães sobre sua cabeça, e que as aves comiam desses cestos. José interpretou esse sonho afirmando que o padeiro seria morto em três dias. Nossos sonhos precisam ser interpretados sob a perspectiva do juízo! A Bíblia diz que ninguém conhece a mente de Deus e que o homem e a mulher nunca teriam acesso ao saber divino se não fosse por obra do Espírito Santo que revela aos servos e servas de Deus as coisas profundas da parte Dele (cf. 2 Coríntios 2. 9-10). Entendamos que através do Espírito Santo Deus compartilha sonhos do coração Dele conosco, e tais sonhos precisam ser tratados como responsabilidade e privilégio. Não podemos ignorar um desejo que Deus gerou em nossos corações. Precisamos viver de maneira coerente com os sonhos que Deus nos deu, pois, se vacilarmos, certamente virá o juízo. Os sonhos de Deus em nós, não são caprichos individuais, mas parte do projeto Dele para nós e para o mundo, portanto, seja responsável e coerente com eles.

Por fim José foi chamado para interpretar o sonho do rei do Egito, que via durante seu sono sete espigas cheias e sete vacas gordas serem engolidas por sete espigas vazias e sete vacas magras, respectivamente. José interpretou afirmando que o mundo seria alvo de sete anos de fome antecedidos por sete anos de fartura, e adicionou à interpretação a necessidade do Egito guardar a quinta parte de tudo nos sete anos de fartura e não permitir a morte da população nos sete anos de fome, inclusive vendendo os produtos e fazendo a riqueza e fama do Egito. Assim como José, nós precisamos interpretar os sonhos como oportunidade de servir aos outros. Deus nunca compartilha Seus sonhos sem visar que o cumprimento desses beneficie muitas pessoas. Todos os sonhos que tivermos precisam ser interpretados como construção de celeiros para acabar com a fome dos outros em seus mais variados aspectos.

Finalmente, ratifico a necessidade de não destacarmos apenas José como um sonhador, mas como alguém que sabia interpretar sonhos. E foram na verdade suas interpretações que o levaram a assumir o cargo que se alinhou aos seus sonhos. Para vermos o agir de Deus sobre nossas vidas não basta apenas sonhar, mas precisamos interpretar os sonhos como serviço á Deus, com coerência, e como benefício aos outros. Deus certamente nos abençoará na concretização dos Seus sonhos para nós.

Rev. Bruno Roberto (pastor da Igreja Metodista de Rancho Novo, distrito de Nova Iguaçu, bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Bennett)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Passos para o Sucesso

(Atos 9. 1-9)

Queridos amigos amigas, o texto base para esta sexta-feira testemunha acerca do encontro de Jesus com Paulo no caminho para Damasco. Certamente, este foi o início de uma trajetória de sucesso que gostaria de utilizar como base para nossa reflexão observando, no evento, passos para uma vida vitoriosa em Deus.

Um clichê (do francês cliché), é uma expressão idiomática que de tão utilizada e repetida, desgastou-se e perdeu o sentido tornando-se algo que gera uma reação ruim em vez de dar o efeito esperado. Lamento que as expressões vitória e sucesso tornaram-se clichês entre nós cristãos. Contudo, nem por isso vou abrir mão de compartilhar com vocês esta reflexão que foi base de um sermão dos tempos de seminarista, ainda em minha igreja de origem em Vista alegre, subúrbio carioca. Mesmo clichê, reflita nas atitudes de Paulo, e se esforce para imitá-lo.

1. Desejo do encontro. Toda experiência com Deus ocorre em momentos de busca; Paulo buscava a satisfação religiosa no Judaísmo, chegando a testemunhar que era irrepreensível em suas tarefas (Fl 3. 5-6). Este zelo de Paulo evidencia que queria agradar a Deus. Hoje, vejo muitas pessoas que dizem querer uma vida de significado em Deus, mas não querem se dispor ao encontro, há total incoerência daquilo que dizem em relação ao que fazem ou estão dispostas a fazer. O primeiro passo para uma vida de sucesso é o desejo do encontro que vem através da busca.

2. Ouvir a voz de Deus. O segundo passo para uma vida de qualidade e sucesso em Deus é ouvir a Sua voz; Paulo foi interceptado por uma forte luz e ouviu uma voz que o constrangeu á algumas reflexões. Jesus apresentou-se como aquele que era perseguido. Acredito que essa afirmação de Jesus teve efeito poderoso no futuro apóstolo, pois, reconhecer que perseguia o próprio Deus atestava que precisava mudar seu caminho. Muitas pessoas querem o sucesso e vida de qualidade, mas algumas não querem ouvir a voz de Deus porque sabem que esta voz expõe nossos caminhos errados. Digo sempre que no fundo no fundo, todos sabem o que atrapalha ouvir a voz de Deus, nós é que nos fazemos de desentendidos.

3. Perder a nossa visão. O terceiro passo para o sucesso em Deus é perder a nossa própria visão; Paulo ficou temporariamente cego quando viu a luz de Deus. Luz representa responsabilidade, pois, se há muita luz temos mais responsabilidade de, enxergando claramente, não tropeçar em nada; havendo pouca luz, a responsabilidade é menor. Para uma vida de sucesso em Deus, Paulo deveria perder sua própria noção de responsabilidade, ficar cego para seus valores, suas motivações, e aprender a depender de Deus. Imaginem um homem como Paulo, acostumado a receber ordens de poucos e dar ordens a muitos, entrando na cidade aonde perseguiria cristãos e cristãs, carregado por outras pessoas, e mais, um homem prático como ele ouvindo: “Entra na cidade, e lá ouvirás o terás de fazer”. Paulo teve que aprender que mesmo quando não sabemos acerca do amanhã, o hoje com Deus é certeza de um futuro bom. Aprenda a ser dependente de Deus, abrindo mão de sua própria noção de luz, responsabilidade e valores. Se for necessário, perca sua visão!

Estou convencido de que viver a surpresa de Deus, por mais que pareça loucura, insensatez, utopia, ou fanatismo, é a única maneira de ter uma vida de sucesso, qualidade e significado.

Pastor Bruno Roberto

terça-feira, 30 de junho de 2009

Resta ainda um Repouso!

(Hebreus 3. 7-19; 4. 1-9)

Querido amigo e amiga do Crescei na Palavra!, faça sua inscrição como seguidor deste blog para receber em seu e-mail as atualizações.

Os textos propostos para nossa reflexão nesta terça-feira falam acerca da história acidentada do povo de Israel, mais especificamente do evento da posse da Terra Prometida. O escritor da carta aos Hebreus utiliza-se de comparações entre personagens e eventos da antiga e da nova Aliança para provar que o Cristo e Sua obra são superiores a tudo e a todos que haviam se manifestado anteriormente. A narrativa na qual estamos inseridos contém alguns termos técnicos próprios de quem está ajustando palavras comuns em um contexto que se pretende explicar, e que são importantes para nossa reflexão. Peço atenção a eles.

Em nossos textos a Terra Prometida é simbolizada pela expressão “repouso”, aonde Israel iria descansar das opressões e da peregrinação no deserto. O versículo 11 do capítulo 3 (Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso) fala da ira de Deus, que no contexto analisado não expressa propriamente um sentimento, mas diz respeito da ira de Deus, que se aplicaria a todos que se desviaram e agiram com desobediência. Este ato de desobediência é representado nos textos pela expressão “endurecer os corações”.

Contudo, o referido repouso era uma promessa de Deus, e os israelitas, após muita peregrinação chegaram em Canaã, e, o repouso, aparentemente se cumpriu.

A partir do capítulo 4, o escritor segue uma linha de entendimento acerca do tal repouso que esclarece algumas coisas, tais como:

  • o escritor firma que as palavras de Deus para nada lhes aproveitou, pois, não tinham fé. Para entrar no repouso é necessário crer, é preciso mais que um convencimento intelectual acerca de Deus, mas permitir que a convicção de Sua existência e obra domine toda a vida.
  • Israel não entrou no repouso idealizado por Deus, pois, o “repouso” seria mais que uma questão geográfica. Isto fica explícito quando o texto fala do “Hoje” (dia que se chama Hoje). Este Hoje também é uma expressão simbólica, e que significa ‘oportunidade espiritual’. O escritor fala dos “Hojes” de Moisés, de Josué e Davi. Em Moisés o povo de Israel teve a oportunidade (Hoje) de obedecer e confiar no Deus que os conduziria a promessa. Em Josué o povo teve a oportunidade (Hoje) de conserto e santificação para tornar-se digno da terra que Deus os estava concedendo. Em Davi os israelitas tiveram a oportunidade (Hoje) de santificação, união e conservação da harmonia diante da vitória diante de todos os seus inimigos. Entretanto, o povo de Deus não soube aproveitar as oportunidades de repouso que tiveram da parte de Deus, pois, endureceram seus corações.

Estou convencido que Canaã não foi o repouso idealizado por Deus em virtude da desobediência de Israel, gerando conflitos internos, separações, exílio, etc.

Voltando para a motivação principal da carta aos Hebreus, que é a de mostrar a superioridade de Cristo e Sua obra, entendo que o repouso oferecido por Deus atingiu seu ápice em Jesus, pois, quando o profeta Jeremias afirmou que dias viriam em que Deus manifestaria Sua obra de maneira completa, está se referindo a Cristo. Tudo se completa em Jesus.

A palavra que o escritor, na versão original, usa para expressar ‘repouso’ é ‘Sabatsmo’, que significa descanso de Deus, descanso de boas obras, descanso perfeito, descanso eterno.

Finalizo esta reflexão afirmando que Deus tem um novo Hoje (oportunidade) para Seu povo e especialmente pra você que lê este blog agora, e, independentemente da situação que temos que enfrentar, se obedecermos e tivermos fé, e este acreditar dominar toda as atitudes da nossa vida, não vamos mais desperdiçar a ação divina, e finalmente poderemos repousar em Deus.

Não pare, pois, resta ainda um repouso para o Povo de Deus! (Hb 4. 9)

Pr. Bruno Roberto

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fé: a revolução da razão (Como crer em coisas que não se vêem?)

(Hebreus 11.1; 32-34)

O assunto que quero compartilhar com vocês hoje, após esta quinta-feira de tempo fechado e feriado (bom para reflexões atrasadas!), é fruto de uma síntese de dois sermões que preguei em longínquos 5 e 12 de fevereiro de 2006 em Rancho Novo. É baseado no clássico capítulo 11 de Hebreus, um tratado bíblico acerca da fé e seus pressupostos, aonde a mesma é exaltada como o sentimento norteador da felicidade e das conquistas do ser humano.

Já que sem Fé é impossível agradar á Deus, vamos dialogar sobre ela!

No ambiente cristão tem sido feita uma grande confusão quando dissociamos razão e fé, pois, é exatamente na razão que encontramos subsídios e respaldo para acreditarmos no imensurável. A afirmação baseia-se na definição de razão, que é a faculdade própria do ser humano de conhecer, pela alma, a distinção das idéias e das coisas. Logo, a fé é a revolução da razão, é viver sob um novo estado da razão!

Segundo o texto de Gênesis, capítulo dois, versículo sete, Deus criou o ser humano alma vivente. O que de verdade somos é acolhido pela alma. A alma determina o discernimento das coisas (que é a razão), sendo assim o grande foco de quem quer ter uma fé sobrenatural é condicionar a alma.

A razão, portanto, não é o ceticismo, mas o discernimento que é determinado pelas questões da alma. Exatamente neste ponto é que o texto de Hebreus mostra toda sua relevância, pois, ele descreve acerca de pessoas que viveram por fé. O que determina as manifestações (discernimentos) da razão tem associação direta com as condições da alma.

O que chama a atenção a essas personagens que foram chamadas de heróis da fé, são as influências de valores do Deus sobrenatural em suas vidas. Nossa alma (vida) precisa ter influências do sobrenatural para condicionar a razão a discernir todas as coisas do modo de Deus.

O que eu desejo é que você entenda que fé não é u, produto pronto, mas é resultado de outras atividades da nossa alma. Quem vê e entende fé como produto pronto e isolado terá dificuldades em manifestá-la.

Como condicionar a alma para que ela influencie a razão e produza fé?

1. Obediência (Nóe, versículo 7)

Nóe condicionou sua alma a discernir as coisas de um modo diferente sendo obediente a voz de Deus. Tudo que Deus mandava, ainda que improvável, Noé cumpria. Isso fez com que sua alma determinasse no momento oportuno o discernimento das coisas pelo aspecto do sobrenatural.

2. Colocar em ordem os desejos (Abraão, versículo 17)

No caso de Abraão, o sacrifício do seu único filho surge como teste para suas emoções. Quem deseja romper em fé deve condicionar sua alma a colocar em ordem os desejos e motivações. Isso porque a fé é sempre um instrumento para a glória de Deus, e não para mera satisfação de vontades excêntricas do ser humano. Deus não queria matar Isaque, mas colocar em ordem as motivações de Abraão. Muitos não conseguem atingir o nível de fé sobrenatural porque suas motivações não são para a glória de Deus. Condicionamos nossa alma a crer no sobrenatural quando tudo que se move em nós é por Ele e para Ele.

3. Intimidade com Deus (Enoque, versículo 6)

Como continuações naturais do ponto anterior, a intimidade e comunhão com Deus geram em nossas vidas as realidades de Deus. O próprio Deus compartilha e testifica em nossos corações Suas intenções mais profundas. O testemunho bíblico que temos é que Deus somente compartilha coisas deste nível com pessoas que pagam um preço de santidade como Enoque, que de andar com Deus e crer em coisas sobrenaturais, atingiu uma posição tão significativa que foi transladado ao Céu.

4. Persistir (muros de Jericó, versículo 30)

É lógico que a persistência não é fé, mas é elemento importante na alma para que esta possa produzir uma razão associada com o sobrenatural. Os muros de Jericó caíram porque Josué e o povo de Israel persistiram na orientação de Deus e no objetivo de conquistar a cidade. Esta atitude prepara e condiciona a alma para grandes desafios de fé.

5. Não perder de vista os objetivos (José, versículo 22)

José faz parte dos heróis da fé porque independentemente dos problemas que enfrentou nunca perdeu de vista seus objetivos de atuar em grandes estruturas. Atitude admirável de quem quer condicionar sua alma para revolucionar a razão contaminada com o pecado e ceticismo predominante. Não perder de vista objetivos é disciplinar a alma a nunca se satisfazer com aquilo que não é o que Deus gerou em nossos corações. É um estagio importante da fé sobrenatural.

A fé precisa de fundamentos

Segundo o texto de Hebreus, fé é fundamento. Como algo que comumente transcende o natural pode ser fundamento? Examinando o texto bíblico e a história da humanidade, chego a conclusão que somente a Palavra de Deus é fundamento de coisas sobrenaturais. Acreditar em algo que não vemos sem respaldo é maluquice e loucura. A fé não acontece do nada, mas é fruto de uma razão influenciada e fundamentada na Palavra de Deus. É possível atitudes de fé que não possuem fundamentos na Palavra de Deus, e por isso não prosperam, como foram os casos de Saul, que teve fé baseada na desobediência, de Roboão, filho de Salomão, que teve fé originada em maus conselhos, e Asa, que creu baseado na cobiça humana. A fé não pode ser vista como instrumento a serviço de satisfazer desejos extravagantes do homem e da mulher de Deus, pois, a oração da fé, somente cumpre os desejos de Deus, para a glória Dele.

A base do que esperamos tem que estar na Palavra de Deus, pois, nada acontece se Deus não quiser. Somente o que sai da boca de Deus é experimentado o bastante para respaldar que as coisas que não existem possam começar a existir

Desta forma, entenda que nossas almas possuem potencialidades de alterar e revolucionar nossas razões para algo espetacular da parte do nosso Deus, mas ela precisa ser condicionada para isto. Siga os cinco passos dos heróis da fé que proponho, tendo associação com a Palavra de Deus, que você, assim como foi a profecia de Isaías, comerá o melhor desta terra através da fép.

Pr. Bruno Roberto

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Deus nos dará um lugar

(Gênesis 26. 17-25)

Após um final de semana muito abençoado aqui em nossa Igreja Metodista de Rancho Novo em Nova Iguaçu, volto a publicar mais um texto para edifica-los neste dia. O propósito do nosso blog é o de fornecer subsídios bíblicos para seu crescimento.

A reflexão desta segunda-feira nos conta um dos poucos eventos contidos na Bíblia acerca do patriarca Isaque. Na referência bíblica proposta Isaque está buscando sua identidade, sua posição na história e na promessa de Deus ao seu pai. Para Isaque, não interessava ser apenas filho de Abraão e estar envolvido na promessa apenas por este motivo, ele queria buscar a razão da vida e as respostas para suas perguntas; queria o seu próprio lugar.

Desejoso em alcançar tal objetivo, Isaque segue trajetória idêntica a de seu pai, peregrinando por Gerar, terra dos filisteus, aonde Abraão tinha alguns poços cavados, que simbolizava que aquele lugar era seu. Isaque encontrou um poço de sua família e desentulhou-o, entretanto, logo chegaram os filisteus e discutiram sobre a propriedade, afirmando que era posse do seu povo. Isaque abandonou aquele lugar dando ao poço o nome de Eseque (contenda).

Renovado em suas forças, Isaque continuou buscando seu lugar, e encontrou outro poço entulhado de seu pai, tendo a mesma infelicidade da frustração do primeiro, pois, criou inimizades e brigas por causa dele, por isso, seu nome foi Sitna (inimizade). Contudo, Isaque não desanimou e continuou sua busca por aquilo que o completaria, seu posicionamento na história e na promessa, enfim, seu lugar.

Finalmente, Isaque encontrou um outro poço entulhado da família, e diferentemente das duas experiências anteriores, nenhum filisteu veio requerer o poço como seu, fazendo-o concluir que aquele era o seu lugar, por isso, batizou o poço de Reobote (o Senhor nos deu um lugar).

Estou convencido que na nossa caminhada da vida, nós também possuímos o mesmo desejo de Isaque, que foi o de ter uma existência de significado e qualidade, e, também é certo, que encontraremos poços entulhados que frustram nossa trajetória, entretanto, devemos também ter a mesma disposição renovada pelo Espírito Santo, através de entrega á Ele, para desentulhar os poços necessários até chegar em Reobote.

Deus já separou um lugar para nós, portanto, faça como Isaque, não desista!

Pastor Bruno Roberto

sexta-feira, 5 de junho de 2009

“Corríeis Bem”


(Gálatas 5. 7)

“Qui cessat esse melior cessat esse bonus”

(Quem deixa de querer o melhor deixa de ser bom)

O que eu quero compartilhar hoje com os amigos da internet é norteado pela expressão em latim acima, que retrata bem o texto de Gálatas 5, que é título deste texto (Corríeis bem). Corríeis bem é na verdade uma lamentação do apóstolo Paulo, usando o verbo no pretérito imperfeito pra exortar a igreja da Galácia acerca de seu desvio de metas e motivação. A carta aos Gálatas chama a atenção da Igreja Primitiva quanto ao abandono daquilo que era essencial, naquele caso manifesto pela valorização da Lei em detrimento da Graça. Estou convencido que é uma exortação que deve ser atualizada e estendida a cada um de nós. É preciso avaliar em quais áreas nós corríamos bem e paramos!

Quando me refiro ao que era essencial, estou desejando falar da ação do Espírito, que era o centro de tudo que acontecia no início do Cristianismo no primeiro século.

Como é de conhecimento geral, a Igreja formada pelos primeiros cristãos era uma comunidade que perseguia fazer a vontade de Deus, que não dava oportunidade para ações externas (humanas e espirituais), e que tinha o claro objetivo de espalhar a santidade e o evangelho de Cristo por toda a Terra.

Infelizmente, a Igreja, por um momento, desviou sua atenção do essencial, sendo constrangida por uma pregação judaizante que valorizava mais a Lei que a Graça de Deus, iniciando assim muitas discussões, questionamentos, e quase divisões. A Igreja havia se contentado apenas em ser boa, enquanto o desejo de ser melhor foi ofuscado por aquilo que não era essencial. Por esta razão Paulo lamenta: Corríeis bem

Creio que a mesma exortação pode ser atualizada quando observamos que muitos abandonaram o essencial, se contentaram com o bom que experimentaram e acreditam que podem viver destas lembranças por toda a vida; lembranças de tempos em que as “coisas funcionavam”; momentos que viveram na presença de Deus; votos que fizeram ao Senhor, etc. Hoje, todas essas coisas não passam de lembranças de tempos importantes, mas, que segundo a Bíblia, não nos credencia a ser bons, pois, o grande apóstolo é muito claro quando conjuga o verbo correr (corrida da vida cristã) no tempo passado, numa alusão óbvia que, o que um dia foram, agora, não são mais. O mesmo Paulo, ainda em Gálatas, chama aos ‘maus corredores’ de insensatos, que significa agir fora da razão, como um louco.

Finalizo esta reflexão de hoje desejando que cada um possa fazer uma avaliação profunda com o objetivo de perceber aspectos que tornam claro nosso abandono ao essencial, e buscar o melhor de Deus para a cada dia, sem interrupções.

Até amanhã, se Deus quiser.

Pastor Bruno Roberto

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A Verdadeira Religião

“Deixarão as águas que vem de longe, frescas e correntes?”

(Jeremias 18. 14)

Queridos amigos, nesta quinta-feira quero compartilhar com vocês sobre a revelação de Deus ao profeta Jeremias acerca da condição do povo de Israel que, prisioneiro em terras inimigas, fazia opção por estar cada vez mais distante de Deus.

É importante ser destacado que o ser humano está sempre buscando uma vida com significado, mesmo que essa realização custe uma vida afastada de Deus. A Religião é sadia, essencial e importantíssima, pois, mostra o caminho para a realização, que somente pode ser alcançado por uma re-ligação ao Criador. O grande problema acontece quando a transformamos em uma religiosidade que não gera vida com Deus (estéril). O que eu quero com esta reflexão é levar você a refletir algumas características da verdadeira Religião, aquela que é inspirada pelo Cristianismo. O texto de Jeremias fala sobre Religião, pois, Deus dá indicações para um envolvimento com Ele a partir da comparação com as águas que vem de longe, frescas e correntes.

1. Águas que vem de longe. A expressão vem de longe caracteriza algo que não é comum, estranho a nós e aos nossos costumes. A verdadeira Religião traz essas águas de longe, águas que desconhecemos, águas que geram conflito e aparente agressão aos nossos costumes. Estou convencido que quando nos sentimos desconfortáveis por conflitos entre nossa maneira de ser e a proposta da verdadeira Religião, Deus está começando a agir em nosso ser. A verdadeira Religião propõe ajustes no caráter, que está em constante desenvolvimento! Se nossa experiência religiosa não sugerir mudanças de valores, posturas e ideais, ela está a nosso serviço e não ao de Deus, portanto, é caseira, conhecida, ‘de perto’, ou seja, não são as águas de Deus que vem de longe. Permita que aquilo que aparentemente é estranho (porque vem de longe) traga novidade de vida para você hoje.

2. Águas frescas. A verdadeira Religião é comparada às águas frescas pelo prazer que proporciona. Quando há sede nada é melhor que águas frescas! Disse no início que todos tem sede de uma existência com significado, e estou certo que a totalidade do prazer na vida somente é possível quando encontramos com Deus. Não há maior prazer na vida que viver no centro da vontade de Deus, descobrindo a cada dia que há sempre maiores condições de ser feliz. Quando descobrimos o gozo da oração, leitura bíblica, comunhão com os irmãos, pregação da Palavra, entre outras coisas, nosso prazer em Deus é total.

3. Águas correntes. A verdadeira Religião é comparada às águas correntes por razão, entre outras coisas, de sua constância. As águas da verdadeira Religião propõem estabilidade. Tais águas não abrem possibilidade para pausas no relacionamento com Deus, pois, são contínuas. Aquele que deseja beber das águas da verdadeira Religião deve estar disposto a não desanimar nunca e proceder de maneira estável e firme na presença de Deus.

Tenha um ótimo dia na presença de Deus.

Pastor Bruno Roberto


terça-feira, 2 de junho de 2009

Correndo na velocidade de cavalos



(Jeremias 12. 5)

O texto proposto para nossa reflexão testemunha acerca de mais um momento de lamentação do profeta Jeremias que se sentia oprimido pelos inimigos que o difamavam e, aparentemente, estavam prevalecendo sobre o homem de Deus. Acrescentava a este quadro o fato do exílio e rebeldia do povo de Israel, que tanto entristeciam o profeta.

Não deve ser difícil encontrar histórias de vidas semelhantes a de Jeremias, momentos de tristeza e lamentos acerca do aparente triunfo dos problemas sobre nós. Nessas horas as incertezas aparecem, não conseguimos mais crer nas promessas, pequenos problemas se tornam grandes, e o desânimo vem. Estou convencido que o desânimo é uma das raízes do fracasso na caminhada cristã.

Ainda no nosso texto, após as lamentações de Jeremias, Deus responde ao profeta relacionando sua trajetória a uma corrida; correr com homens que iam a pé seria uma preparação para competir com cavalos. Deus queria deixar claro para Jeremias que quando estamos Nele, tudo se torna preparação para novos e maiores desafios em nossas vidas.

Um exemplo clássico desse momento de ‘corrida de homens que vão a pé’ é a história de Davi que, pastoreando suas ovelhas, protegia seu rebanho com toda dedicação, mesmo quando era preciso arriscar a vida; quando foi lutar contra Golias, perguntaram-lhe sobre suas experiências militares e prontamente respondeu que havia lutado e matado um urso e um leão que intentavam mal às suas ovelhas. Hoje, sabemos que Davi foi o maior rei de Israel, conhecido por seu reinado esplendoroso na área militar e por muitas conquistas. Quem diria que Deus estava preparando Davi, com ursos e leões, para ser um rei de batalhas militares? Os ursos e leões foram símbolos do momento de ‘corrida de homens que vão a pé’; as grandes batalhas e conquistas como rei foram símbolos do momento de ‘corridas com cavalos’.

Assim é a caminhada com Deus, nada acontece por acontecer. Deus sempre está nos preparando para desafios maiores. Faça um esforço de memória e logo chegará à conclusão que ninguém que confiou em Deus foi destruído, mesmo que, como disse o apóstolo Paulo, em tudo somos afligidos, oprimidos, atacados e angustiados.

Este episódio da vida do profeta Jeremias serve como provocação para reflexões daqueles e daquelas que, como ele, não tem muitas perspectivas de dias melhores e estão desanimados com a caminhada, experimentando dificuldades em várias áreas da vida. Estou convencido que a vontade de Deus é que reconheçamos que correr com homens que vão a pé antecede e prepara obrigatoriamente para correr na velocidade de cavalos. Corrida é própria para atletas, e a disposição física do corredor é condicionada, é trabalhada e aperfeiçoada a cada dia. Permita que Deus aperfeiçoe a sua vida para maiores desafios e bênçãos, mesmo que este aperfeiçoamento seja com esforço, desconforto, dor ou confronto. Quem está disposto a correr com homens que vão a pé, símbolo das dificuldades do hoje, capacita-se para correr e vencer cavalos, símbolo de desafios maiores que manifestarão a realização de Deus em nossas vidas.

Deus lhe ajude a ter paciência e determinação em sua corrida, seja ela ainda contra quem vai a pé, ou com cavalos.

Abraços.

Pr. Bruno Roberto